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Na era do Netflix, não seja uma Blockbuster: Entenda como seus concorrentes podem influenciar sua atuação

Antes de explicar mais sobre a análise da concorrência é importante entender o por quê de essa prática ser tão utilizada e defendida por grandes autores e empresários. A forma como os seus concorrentes agem pode afetar significativamente o mercado e, consequentemente o planejamento da sua empresa e as decisões que devem ser tomadas dali em diante.

Existem alguns exemplos de mercados que passaram por grandes mudanças com a entrada de empresas que, por meio de um modelo de negócio baseado na inovação, acabaram desbancando grandes empresas de mercado. Entre alguns exemplos mais relevantes temos o da Netflix, empresa de streaming de filmes e séries, que foi um dos principais responsáveis por falir a Blockbuster, empresa de aluguel de DVD’s e VHS que chegou a ter 9 mil lojas físicas só no Estados Unidos e ser vendida por 8,4 bilhões de dólares em 1994, apenas 9 anos após a sua fundação. Esse caso representa de forma evidente a importância de entender seu mercado para evitar que sua empresa torne-se vítima de eventuais mudanças. Analisar os seus concorrentes permite entender o cenário do mercado em que sua empresa está inserida, descobrir como você está se posicionando em relação aos seus concorrentes e a partir disso, identificar oportunidades e pontos de melhorias que podem alavancar a atuação do seu negócio. Mas a grande dúvida é: por onde começar? Para conseguir analisar os seus concorrentes é preciso definir quem são eles.  Os concorrentes podem se dividir em dois tipos:

  • Diretos: São aqueles que disputam o mesmo mercado e oferecem um produto muito semelhante ao da sua marca. É importante que esses concorrentes sejam monitorados constantemente por possuírem uma estratégia semelhante à de sua empresa.
  • Indiretos: São aqueles que atendem o mesmo perfil de consumidor sem necessariamente oferecer um produto semelhante ao seu. Um exemplo prático de concorrência indireta é uma empresa de vassouras e uma empresa de aspiradores de pó: as duas atendem uma necessidade parecida oferecendo produtos que se diferem em diversos fatores.

Depois de definir quem são os seus concorrentes é importante entender como o seu ambiente interno influencia sua atuação diante dos fatores externos do mercado. É importante levantar os seguintes fatores:

Forças: São vantagens internas que a sua empresa apresenta em relação aos seus concorrentes.

Fraquezas: São aptidões internas que podem interferir negativamente na atuação do seu negócio.

As forças e fraquezas representam fatores internos de cada empresa, isso significa que podem ser alterados para acompanhar as mudanças do mercado. São esses fatores que vão diferenciar as empresas concorrentes, principalmente os diretos. Não é necessário que a sua empresa seja melhor que o seu concorrente em todos os aspectos mas é muito importante possuir um diferencial, o que pode variar muito de acordo com o seu público alvo. De acordo com o SEBRAE, diferenciais competitivos são vantagens e benefícios exclusivos que a empresa proporciona à sua clientela e que a concorrência ainda não conseguiu oferecer. É importante que esses fatores estejam de acordo com as necessidades e/ou desejos dos seus consumidores para que realmente represente um atrativo em relação aos seus concorrentes. Um exemplo disso pode ser a velocidade de atendimento. Se os seus consumidores priorizam um serviço rápido é importante que isso seja monitorado para manter a fidelidade dos seus clientes.

Após fazer essa análise dos seus concorrentes é importante entender também quais são os pontos fortes e fracos da sua empresa para conseguir estabelecer o seu diferencial competitivo. É importante ter em mente que se você considera um fator um diferencial da sua empresa mas, vários do seus concorrentes também apresentam essa característica como algo marcante, essa força pode não ser um diferencial mercadológico, mas sim um requisito para que a sua empresa consiga se manter competitiva no mercado. Para complementar a análise e entender como os seus concorrentes se comportam diante do mercado é fundamental entender as oportunidades – forças externas que influenciam positivamente a empresa – e ameaças – forças externas que influenciam negativamente a empresa – do setor. As oportunidades e ameaças devem ser monitoradas, permitindo alinhar a estratégia da empresa para que seja possível tomar decisões com embasamento e que não prejudiquem a atuação da sua empresa. Um bom exemplo desses fatores pode ser um aumento da demanda por determinado serviço ou produto, uma oportunidade e a entrada de fortes concorrentes no mercado, uma ameaça. Identificar esses pontos é fundamental para que sua empresa consiga elaborar estratégias de atuação e se manter competitiva no mercado.  Esses 4 fatores – Forças, fraquezas, oportunidades e ameaças – são utilizados para formar a análise SWOT. Essa ferramenta permite realizar um cruzamento dos elementos levantados para entender como eles se relacionam e gerar direcionamento de atuação para sua organização.

“Então é só entender como os meus concorrentes agem e imitar na minha empresa?” … Errado! Cada organização é diferente e não significa que por que alguma estratégia funcionou para o seu concorrente  é totalmente replicável para o seu negócio. A concorrência deve ser utilizada como base para a tomada de decisão e não como uma verdade absoluta, afinal de contas cada empresa possui a sua estratégia e suas particularidades. O que pode ser feito é estudar melhor os seus concorrentes para entender para onde o setor está caminhando e identificar novas oportunidades de mercado, evitando que a sua empresa perca parte da sua fatia de mercado. Apesar de ser uma tarefa complexa, analisar seu mercado, tendências e principalmente seus concorrentes é importantíssimo para garantir os diferenciais competitivos e bons resultados de sua empresa. Quer conversar melhor sobre análise da concorrência? Clique “aqui”. 

Para começar a se diferenciar dos seus concorrentes, estamos disponibilizando uma ferramenta que permite identificar se os seus clientes estão satisfeitos com os seus serviços. É gratuito e pode te auxiliar a traçar novas estratégias para captar e fidelizar os seus clientes!

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Texto criado por Lucas Palma

Consultor da AD&M Consultoria Empresarial

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“Brasil, o país do futebol!” Entenda como traços culturais podem impactar na realidade de sua empresa.

“O Brasil é o país do Futebol, do Carnaval e do Sol!”, com certeza você já ouviu uma frase parecida com essa, certo? Tendo isso em vista, podemos adotar como realidade do cotidiano vários aspectos que foram moldando a nossa cultura e o modo como nós enxergamos e também como somos enxergados, enquanto população brasileira.

Toda essa abordagem e construção de uma “imagem” do Brasil é trabalho de décadas de caracterização por meio de notícias, comentários e apresentações enquanto nação, que acabam muitas vezes por restringir a percepção daqueles que observam o país. Mas, antes de tudo, é preciso estar antenado com o conceito de cultura, que visa destacar o que a ideia central e os impactos de sua observação. Segundo Kluckhohn (1951), cultura consiste de modos padronizados de pensamento, sentimento e reação adquiridos e transmitidos principalmente por meio de símbolos, constituindo realizações distintivas de grupos humanos, incluindo seus artefatos. O núcleo da cultura consiste de ideias tradicionais, historicamente produzidas e selecionadas, e especialmente valores associados a tais ideias.

Nesse sentido, o futebol tem uma grande influência sobre a cultura brasileira e podemos observar isso por meio da reprodução de comportamento como as torcidas  e as passagens de carinho hereditárias de pais para os seus filhos, entre tantos outros exemplos.

No que se trata de futebol masculino, o Brasil é mundialmente conhecido por ser o maior campeão de todas as copas e também como lar e celeiro de excelente jogadores, tudo isso gerou uma grande simbolização e um conjunto de ações que ocasionam no amor pelo futebol de grande parte dos brasileiros, desde muito jovens. Tudo isso é muito significativo à população, pois destaca parte de nossos valores enquanto sociedade, como por exemplo a interação e “calor humano”, e isso tem grande impacto sobre as organizações, sejam elas mais tradicionais ou mais modernas.

Esse impacto é fruto do modo como o profissional se vê, como os clientes vêem a organização e também como a empresa é vista pela sociedade como um todo. Observando o contexto geral das organizações, exploraremos relações além das que o futebol nos permite, pois é interessante pensar em como a cultura propriamente dita pode influenciar em uma empresa.

Sobre a ótica de um panorama geral, que também podemos aplicar ao futebol, temos alguns dos estudos centrais de Cultura e Comportamento, promovido por Geert Hofstede, um dos estudiosos pioneiros nessa linha de estudo. O estudo realizado por Hofstede é um dos mais robustos e um dos mais importante para o setor de pesquisa sobre cultura, de qualquer forma, todo o estudo realizado é amplo, dessa forma, será focado o extrato de seu trabalho, que consiste na definição de  5 dimensões centrais para cultura.

Segundo Hofstede (1980), entendeu-se que as principais dimensões de cultura são:

  • Distância do poder: essa é uma medida que relaciona o grau de aceitabilidade de indivíduos de uma nação com relação a aceitação de desigualdades, sejam elas hierárquicas, sociais, etc.
  • Masculinidade/ Feminilidade: essa medida não visa buscar conceitos acerca de gênero, todavia, tenta replicar um padrão de estudo que aborda se os membros de uma nação tem um comportamento mais voltado a competitividade e a aquisição de bens (comportamento caracterizado como mais masculino, segundo os estudos Hofstade) ou priorizam a qualidade de vida e o os sentimentos (comportamento caracterizado como mais feminino, segundo os estudos de Hofstede).
  • Individualismo/ Coletivismo: essa medida é relacionada ao como o indivíduo se comporta enquanto ser coletivo e social, ou seja, se os membros de uma nação tem um comportamento mais voltado ao individualismo (seus próprios interesses, ambições, etc) ou ao coletivismo (pensamento coletivo, ajuda ao próximo, formação de grupos e redes sociais, etc).
  • Evitação de incertezas: essa medida foi desenvolvida para verificar se os membros de uma nação estão mais dispostos a correr riscos relacionados à incertezas e ao desconhecimento de cenários ou pelo contrário, se esses membros se sentem altamente incomodados pela falta de informações e “segurança”.
  • Orientação a longo prazo/ curto prazo: essa medida visa observar se os membros de uma sociedade tem comportamentos voltados ao longo prazo (exemplo: formação de poupança), pensando no futuro e o modo como esperam estar ou ao curto prazo (exemplo: cumprir obrigações sociais), pensando mais no passado e no presente e no momento que estão.

Essa dimensões são frutos de um estudo realizado nos anos 70 com colaboradores da IBM, de vários países, para compreender as semelhanças e diferenças culturais e os impacto disso para o organização. Como pode ser observado, há diversos traços de personalidade que os membros de uma nação podem ter, sendo assim, há uma grande variedade entre as combinações de perfis que podem existir.

Para isso, trouxemos alguns dos tópicos centrais das relações de impacto entre Cultura e as organizações. São eles:

  • Impacto sobre os colaboradores:

Percebe-se que os colaboradores podem adotar uma série de comportamentos em relação às suas ações e condutas no trabalho, o modo como trabalham em equipe, o modo como esperam que as lideranças hajam, a função que prospectam executar, entre outras coisas.

Dessa forma, é essencial que a organização tenha uma visão para o estudo desses comportamentos, para poder desenvolver boas práticas de gerenciamento e de cultura organizacional, para que assim, os colaboradores possam sentir-se membros efetivos da empresa e dessa forma possam ser mais produtivos e satisfeitos em seu ambiente organizacional.

Imagina que interessante seria se uma empresa conseguisse que seus funcionários tivessem a mesma energia e empolgação que ao torcer para um jogo do Brasil. Esse é um desafio organizacional, todavia, pequenas ações de cultura e entendimento de individualidades pode “facilitar” essa jornada.

  • Impacto sobre os clientes:

Os consumidores são os principais envolvidos no faturamento de uma empresa, dessa forma, estudos para o perfil do consumidor é uma boa forma de verificar o alinhamento do produto/serviço aos interesses do mercado.

Tudo isso, pode determinar condições de pagamento, pensando se o consumidor é mais orientado ao longo prazo/ curto prazo, ou as suas incertezas, ou o seu perfil de consumo ser mais voltado para uma satisfação no momento presente. De qualquer forma, o uso dessas observação por uma empresa pode ser um passo para o desenvolvimento de vantagem competitiva, no setor onde se está inserido, uma vez que, as percepções dos clientes podem definir o impacto e a relevância de uma marca no mercado.

Um exemplo organizacional disso é a FIFA, que realiza campanhas de vendas e realizações de eventos aplicados ao contexto cultural de cada país e por meio dessas personalizações, permite com que o futebol dessa disseminado em diversas nações.

  • Impacto sobre as legislações e regras:

Como foi observado, os estudos acerca de cultura são muito voltados ao nível da sociedade, ultrapassando assim o sentido do indivíduo, pensando nisso, observamos dois extratos importantes da sociedade, que é o governo e a população.

Quando fala-se de regras, legislações e condutas, deve-se pensar no sentido de cultura e os comportamentos, valores e visões esperados por cada sociedade, dessa forma, uma empresa pode realizar uma ação “negativa” que em um país pode ser repudiável, mas ser tolerável em outro, o mesmo é válido para ações “positivas”.

Com isso, é importante que a organização pense em sentido geral o que é esperado pelos seus colaboradores, em relação aos resultados, às condutas e às políticas, o que é esperado por seus consumidores em relação ao impacto socioambiental, à formação de produtos, etc., e o que é esperado por seu governo em relação às normas, às leis e às estruturas.

Dessa forma, é de suma importância que as individualidades e características culturais sejam efetivamente monitoradas e acompanhadas com planos de ação para o desenvolvimento e controle da empresa, pois essas são decisivas em diversos momentos de todo cenário institucional, desde a reflexão sobre as estratégias a serem adotadas até o modo como as propagandas são feitas, por exemplo.  

Esses monitoramentos podem ser feitos por soluções presentes no portfólio AD&M. A nível interno, podem ser executadas soluções como: a pesquisa de clima organizacional, a pesquisa de cultura organizacional, entre outras soluções, que visam observar como os colaboradores se sentem na organização em que estão inseridos, quais são as suas satisfações e insatisfações, quais condutas são esperadas e quais planos de ação podem ser construídos para solucionar os problemas e potencializar os resultados. A nível externo,  podem ser executadas soluções como: a pesquisa de mercado, a análise da concorrência, a análise da cultura de mercado, entre outras soluções, que visam observar o comportamento do consumidor em diversos sentidos, além de observar o perfil dos clientes, as ações realizadas pela concorrência, tudo isso com o objetivo de reforçar ou construir planos de ação e estratégias empresariais voltados para a relevância, a construção, a manutenção ou o reposicionamento de uma marca/ empresa.

De qualquer forma, desde a grande a pequena organização podem e devem realizar monitoramentos desse tipo, internamente e externamente, para oferecer um ambiente satisfatório de trabalho e para ser uma empresa bem vista pelo mercado consumidor, compondo assim uma empresa relevante para o mercado, independentemente do porte ou do setor inserido.

capture “Brasil, o país do futebol!” Entenda como traços culturais podem impactar na realidade de sua empresa.

Escrito por: Evandro Garcia

Líder de Projetos – AD&M Consultoria Empresarial

Referências:

KLUCKHOHN, C. The study of culture. In: LERNER, D.; LASSWELL, H. D. (Eds.). The

policy sciences. Stanford: Stanford University Press, 1951.

HOFSTEDE, G. Culture’s consequences. Beverly Hills: Sage, 1980. [ADAPTADO]

PAIVA, J. C. N. . A Influência da Aculturação sobre os Valores Humanos e suas Relações com o Comportamento do Consumidor: Um Estudo Transcultural com Expatriados. In: Enanpad 2017, 2017, São Paulo (SP). Anais do Enanpad 2017, 2017.