Categorias
Marketing

“Marketing verde” como estratégia empresarial

Nesse artigo, você irá aprender o conceito de marketing verde, observará informações que dão pistas sobre sua tendência nacional juntamente a exemplos do mercado, até por fim entender o que é “greenwashing”.

No dia 1º de Agosto de 2018, o planeta Terra se topou com uma situação extremamente alarmante. Nesta data,  a humanidade consumiu todas as árvores, toda a água, solo fértil e peixes que a Terra pode fornecer em um ano, segundo avaliações e previsões feitas pela Organização não-governamental WWF e pela Global Footprint.

As grandes instituições do mundo, aterrorizadas pela ideia dos recursos se esgotarem, têm dedicado, nas últimas décadas, grande parte dos seus esforços em projetos que buscam desacelerar este processo e combater o consumo não responsável de recursos, através de mudanças, por exemplo, com a “Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável” da ONU.17-objetivos-do-milenio "Marketing verde" como estratégia empresarial

Por isto, é importantíssimo entender que este movimento global afeta a maneira das pessoas pensarem, onde a consciência ambiental tem sido estimulada também através do consumo e utilização de produtos alinhados com esta mudança de hábitos e comportamentos de consumo.

O “Marketing Verde” representa dentro do mundo dos negócios esta preocupação por entender este novo pensamento do consumidor e, através das funções básicas do Marketing, atender às necessidades daqueles clientes que possuem um comportamento diferenciado por se  preocuparem com medidas sustentáveis e com danos à natureza.

Empresas como a Natura, por exemplo, têm utilizado esta consciência ambiental ao seu favor, se posicionando fortemente no mercado frente a outras empresas desse segmento, e isto tem sido fundamental para o seu crescimento,  consolidando-se como a maior multinacional brasileira de cosméticos e variando entre a 8ª e a 6ª posição entre as marcas mais valiosas do Brasil nos levantamentos mais recentes, como o da Interbrands.

Para entender este sucesso, é necessário entender que a Natura, como outras empresas que conhecem esta mudança na forma de pensar dos consumidores, não somente se posiciona de forma ecológica, como também, o seus produtos refletem esta essência ambiental. A linha EKOS, contém extratos de  óleos vegetais, como também, as suas embalagens contêm materiais reciclados e reutilizáveis para oferecer economia, aproveitamento de embalagens, e principalmente redução do impacto ambiental.

A BRF (dona de marcas como Sadia e Perdigão),  envolvida em escândalos de corrupção com a operação Carne Fraca, vêm apostando além de uma forte reestruturação organizacional, no marketing verde para melhorar sua imagem frente ao público. Em fato, é uma das grandes companhias alimentícias que atualmente está as melhores colocadas no ranking promovido pela BBFAW a respeito do tema bem estar animal, tendo avançado em relação ao último divulgado.

Outro casos de Marketing Verde incluem a Google, que recentemente aplicou 200 milhões de dólares em obtenção de energia eólica através de uma rede submarina. A Rede Pão de Açúcar, por sua vez, trocou sacolas de plástico antigas por outras que duram mais, resultando na economia de mais de 97 milhões de sacolas por ano.

De fato, a sustentabilidade e procura por conscientização ecológica vem se tornando um fenômeno cultural implacável nessa última década.

Um filme que retrata esta preocupação pelo meio-ambiente  é o filme de animação americano da Disney, “WALL-E” (2008). Wall-E, é um robô compactador de lixo que busca limpar uma Terra, no ano de 2815, inabitável e coberta de lixo, visto as práticas excessivas de consumismo e produção em massa ao longo dos anos. Este filme, não somente se consagrou no cinema recebendo vários prêmios mundialmente, como também, abriu espaço para a discussão de temas que o Marketing Verde se preocupa como por exemplo, sustentabilidade e impacto ambiental no consumo.

Visto a propagação desse fenômeno sócio-cultural, não demorou muito para que os hábitos dos consumidores também se renovassem e exercem impacto na economia. Um exemplo disso pode ser observado através de movimentos como os vegetarianos e veganos. Segundo o IBOPE, o número de vegetarianos no Brasil quase dobrou em 6 anos, chegando a 29 milhões de pessoas. E estes movimentos não parecem parar por agora, e cada vez, estimulam compras mais conscientes.

Ao mesmo tempo, alguns outros dados podem ser retirados de outras pesquisas, como esta realizada pela World Animal Protection “Jovens de 18 a 29 anos, no geral, têm maior preocupação com os métodos de abate (…) Quando questionados sobre a importância do bem-estar dos animais de fazenda, apenas 3% respondeu que não era nada importante.  Mas, ao mesmo tempo, esses mesmos consumidores sabem muito pouco sobre os métodos de criação dos animais“.

Pode-se retirar três análises desses dados, permitindo-se fazer uma analogia desse setor de atuação para outros que possam ser alcançados pelo marketing verde:

  1. Sendo os jovens aqueles com maior preocupação frente à esse tema, esse é mais um indicativo da tendência de crescimento.
  2. As empresas do ramo que já investem em posicionamento estratégico alinhado ao marketing verde não estão conseguindo externalizar de maneira eficaz suas iniciativas para o público, perdendo esse diferencial competitivo, ou não estão conseguindo saturar a demanda.
  3. Juntando as duas análises, por fim, existe um grande potencial de entrada no marketing verde para novas empresas, e este provavelmente será um tema cada vez mais explorado no futuro.

Há uma busca por parte da população de realizar escolhas de compra “conscientes, responsáveis, com a compreensão de que terão consequências ambientais e sociais – positivas ou negativas.”, assim, formando consumidores e clientes mais exigente e que se preocupam pela matéria prima utilizada, reutilização do produto, impacto ambiental deste, entre outras questões.

O nome deste fenômeno é “consumo sustentável”, e “envolve a escolha de produtos que utilizam menos recursos naturais em sua produção, que garantiram o emprego decente aos que os produziram, e que serão facilmente reaproveitados ou reciclados”, segundo o Ministério do Meio-Ambiente.

Por isto, as empresas vêm encontrando novos desafios e oportunidades ao explorar novos nichos, assim, estimulando a criação de uma nova forma de produzir, a “produção sustentável”, que se refere à “incorporação, ao longo de todo o ciclo de vida de bens e serviços, das melhores alternativas possíveis para minimizar impactos ambientais e sociais”,  e forma parte de uma das funções do Marketing Verde.

Greenwashing e desafios do Marketing Verde

Visto a possibilidade de expandir e atingir novos nichos, as empresas têm investido de forma contundente em medidas para renovar as suas estratégias mercadológicas para atingir essa parcela de mercado, só que, como mencionamos antes. os consumidores estão mais exigentes e têm mais acesso à informações, e isto significa que as empresas, se quiserem utilizar o Marketing Verde, devem, criar uma linha de coerência nos seus diferentes subníveis (produção, embalagem, promoção, transporte de matéria-prima) que se alinhe com os valores ecológicos, como também, pessoais dos consumidores.

Se não existir coerência no discurso das organizações com as suas ações reais, as empresas não adotam o Marketing Verde, mas sim, a prática do greenwashing, que consiste em “promover anúncios, ações, documentos, propagandas e campanhas publicitárias sobre ser ambientalmente/ecologicamente correto com a intenção primordial de relacionar a imagem de quem divulga essas informações à defesa do ambiente, mas, na verdade, medidas reais que colaborem com a minimização ou solução dos problemas ambientais não são realmente adotadas e, muitas vezes, as ações tomadas geram impactos negativos ao meio ambiente.”

Por isto, um dos grandes desafios principais das empresas ao implementar o Marketing Verde é de como transpassar confiança e credibilidade ao consumidor de que a organização não busca adquirir vantagens financeiras através de tendências sustentáveis, e, sim conscientizar e impactar o mercado.

A chave de tudo isto, se encontra em um ponto crucial de atuação, coerência no discurso.  Scot Case, Vice Presidente de Consultoria Estratégia para a NMI(“Instituto Natural de Marketing”), afirmou que “está se tornando cada vez mais importante para os fabricantes, marcas, produtos individuais e os varejistas que vendem estes produtos contarem histórias de sustentabilidade que ressoam com os consumidores. São as inconsistências que desencadeiam as preocupações dos consumidores com o “greenwashing”, a sensação de que alguém está sendo enganado sobre os benefícios ambientais de um produto, serviço ou empresa ”.

Concluindo, as empresas, principalmente as que já vem aderindo essa visão, devem entender que este fenômeno cultural e sócio-econômico reflete uma mudança global que vem acontecendo nas últimas décadas. Todas as mudanças que ocorrem, tanto no âmbito pessoal como no empresarial, são desconfortáveis e causam dor, mas ao mesmo tempo, se visto sobre uma diferente ótica, são oportunidades de crescimento, aprendizagem e renovação.

Não somente os consumidores, como também as empresas, vêm percebendo que estas estratégias e formas de pensar são benéficas para todos, e cada vez mais, as pessoas querem se sentir conectadas com propósitos e causas sociais que impactem de forma positiva as próximas gerações.

Por isto, pode-se até afirmar que, visto o ritmo exponencial de troca de informação, as organizações que não buscarem acompanhar as tendências sustentáveis, não se posicionarem a respeito de certos assuntos de interesse comum, e, que tenham dissonância entre o que elas dizem acreditar e que realmente fazem, não estarão bem posicionadas frente à um grande mercado que surge diante delas.

E se você quiser saber mais sobre como explorar esse tema, pode ler os seguintes artigos:

Você REALMENTE sabe utilizar o MVV?: Para compreender como manter a coerência no discurso e a importância disso para a estratégia na organização.

Na era do Netflix, não seja uma Blockbuster: Para entender como os concorrentes podem influenciar sua atuação.

Nesse contexto a AD&M atua há mais de 26 anos como consultoria em gestão empresarial e oferece suporte em diversas áreas, como posicionamento de marca, viabilidade mercadológica e também na formulação de planejamentos estratégicos.

E aí? Agende um horário para pensarmos juntos no futuro da sua empresa!

imagem-final-post-mb "Marketing verde" como estratégia empresarial

Criado e escrito por: Alexandre Zwetsch Marr

Supervisionado por: Marcelo Portela

Consultores de projetos – AD&M Consultoria Empresarial

 

Referências externas:

https://blog.marketresearch.com/sustainability-in-america-consumer-attitudes-toward-green-brands-reach-all-time-high

http://www.uesc.br/revistas/calea/edicoes/rev4_artigo7.pdf

https://marketing.conference-services.net/resources/327/2342/pdf/AM2011_0209.pdf

https://www.researchgate.net/publication/257919962/download

http://repositorio.furg.br/bitstream/handle/1/909/Consci%C3%AAncia%20ambiental%20e%20comportamento%20do%20consumidor.pdf?sequence=1

https://periodicos.ufsm.br/reget/article/viewFile/15778/pdf

https://www.vox.com/culture/2017/6/3/15728220/wall-e-pixar-environmentalist-movie-of-week-paris-accord

http://www.mma.gov.br/responsabilidade-socioambiental/producao-e-consumo-sustentavel/conceitos/producao-sustentavel.html

http://www.mma.gov.br/responsabilidade-socioambiental/producao-e-consumo-sustentavel/conceitos/consumo-sustentavel.html

Categorias
Organização e processos

Planejamento Estratégico: entenda como conquistar o voto do cliente!

Período de eleições no Brasil. Há menos de uma semana escolhemos presidente da República, governador, senador, deputado estadual ou distrital e deputado federal. Com isso, vimos os mais diversos tipos de candidatos realizando diferentes campanhas eleitorais na tentativa de conquistar o público e garantir uma vaga na política.

E você já pensou na complexidade que é fazer uma campanha eleitoral? Quantos aspectos devem ser considerados? Orçamento, funcionários, concorrentes, imagem a ser transmitida para o público, comportamento do eleitor, influências externas (economia, imprensa, mídias sociais). São muitas questões, certo?

E o mesmo ocorre com as empresas! Diversos fatores influenciam as organizações a todo momento! Então reflita: atualmente o que você tem feito para conseguir o “voto” do seu cliente?

Assim como em uma campanha política, devemos ter objetivos claros com prazos definidos a serem cumpridos, mas como ter esse planejamento para a minha empresa? O planejamento estratégico é a melhor forma!

Nesse cenário com diversas variáveis, o planejamento estratégico é aplicado, uma vez que permite que as empresas tracem estratégias para construírem já no presente a organização que desejam no futuro. Dessa maneira, o planejamento estratégico auxilia as empresas a serem menos vulneráveis a fatores externos.

Mas antes de falar sobre planejamento estratégico, vamos conversar sobre estratégia? Algumas perspectivas são:

  • Direção: é capaz de fornecer um caminho a ser seguido pela empresa;

“O principal papel da estratégia é mapear o curso de uma organização para que ela navegue coesa em seu ambiente” (Pereira, 2002).

  • Esforço: responsável por concentrar os esforços da empresa no mesmo foco;

“Sem a estratégia, as pessoas puxam em direções diversas” (Mintzberg, 2010).

  • Organização: possibilita entender de forma minuciosa a empresa, assim, auxiliando na percepção de seus diferenciais.

“A estratégia propicia às pessoas uma forma para entender sua organização e distingui-la das outras” (De Paula, 2004).

Então, qual será a estratégia dos candidatos para o Brasil? E, você, já pensou na estratégia da sua empresa?

Logo, percebe-se que a estratégia pode ser traduzida como “maneiras de chegar do ponto A ao ponto B”, ou seja, consiste em direcionar esforços para atingir determinado fim dado um contexto. Assim, um candidato político pode traçar uma estratégia para ser eleito ou para fortalecer o seu partido, enquanto as empresas podem traçar estratégias para diferentes fins, como: aumentar o número de vendas, atingir novos públicos, expandir o mix de produtos ofertado.

Diante disso, o planejamento estratégico viabiliza que os objetivos sejam alcançados, já que são desenvolvidas iniciativas estratégicas (planos, programas e ações) para superar os desafios.

Assim, um exemplo disso é uma empresa a qual deseja abrir uma filial, para isso ela pode desenvolver iniciativas, como: poupar “x” valor do caixa da empresa, fazer pesquisa de mercado para descobrir o melhor local, orçar projetos de engenharia – Sempre atrelando as iniciativas à responsáveis e datas limites.  Então, percebe-se que o planejamento estratégico possibilita que objetivos que pareciam distantes, tornem-se tangíveis e possíveis de serem realizados aos poucos.

QUERO CONVERSAR COM UM ESPECIALISTA

Nas organizações, o planejamento estratégico é a ferramenta responsável por formalizar e por gerenciar a estratégia. Dessa maneira, agora retomaremos algumas características do planejamento estratégico:

  • Guia principal da empresa
  • Responsável por delimitar objetivos a longo prazo
  • Visualização de todas as dimensões da estratégia

Como foi possível perceber, a estratégia está relacionada com TODAS as áreas da empresa, desde marketing até o financeiro, logo são muitas informações que são essenciais para alcançar o futuro desejado e que muitas vezes não são consideradas.

Então para a estratégia, ser organizada, visual e abrangente de diferentes perspectivas, utiliza-se o planejamento estratégico, o qual é composto por  desafios que devem ser alcançados pela empresa, denominados objetivos estratégicos. Assim, a organização percebe o que deve ser feito para que os desafios sejam alcançados e ainda estabelece metas de curto prazo e cria indicadores para gerenciar o que está sendo feito corretamente e o que deve ser melhorado. Diante disso, nota-se que o planejamento é muito benéfico, pois possibilita a visão sistêmica da empresa e ainda o acompanhamento dos resultados da organização..

“Ah, mas eu possuo uma micro ou pequena empresa, não necessito de um Planejamento Estratégico”

Errado! O Planejamento Estratégico é de grande importância para a sobrevivência da empresa, seja ela micro, pequena ou grande empresa. Uma empresa que se submete ao mercado sem planejamento estratégico pode se comprometer ao longo prazo, pois é uma ferramenta que auxilia os gestores a prever problemas, identificar melhorias e criar planos de ação para contorná-los.

Se a necessidade é por metodologias mais flexíveis e ágeis, experimente, por exemplo, o OKR.

Falando em dados, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aproximadamente 700 mil empresas são abertas por ano, porém a cada 10 organizações que abrem, 6 delas fecham as portas antes de completarem 5 anos de existência. Um dos motivos, além da crise, temos a alta competitividade e a falta de objetivos da empresa. Problemas esses que podem ser atacados e resolvidos com a solução de Planejamento Estratégico.  Então, é possível perceber a diferença que o Planejamento Estratégico pode causar na realidade de pequenas empresas.

E se você quiser saber mais a respeito desse tema, pode ler os seguintes artigos:

Você REALMENTE sabe utilizar o MVV?: Para compreender de fato como a empresa pode se manter coerente à longo prazo e evitar a predição de Mintzberg no tópico “esforço”.

Na era do Netflix, não seja uma Blockbuster: Para entender como os concorrentes podem influenciar sua atuação.

Quer verificar a saúde financeira de sua empresa?: Para observar alguns indicadores financeiros que podem ser colocados como metas no seu Planejamento.

Nesse contexto, AD&M atua há mais de 26 anos como consultoria em gestão empresarial e oferece suporte em diversas áreas, como viabilidade mercadológica, posicionamento de marca, organização financeira e também em estratégia.

E aí? Agende um horário para pensarmos juntos na estratégia da sua empresa!

imagem-final-post-mb Planejamento Estratégico: entenda como conquistar o voto do cliente!Escrito por:

Amanda Melo e João Paulo Braz.

Consultores de projetos – AD&M Consultoria Empresarial

Categorias
Finanças

Análise Financeira: saiba DETECTAR os problemas da sua empresa

Conheça a análise financeira, uma ferramenta capaz de otimizar e melhorar as decisões financeiras na sua empresa, além de te ajudar a aproveitar oportunidades e mitigar fraquezas.

Os principais objetivos financeiros de uma empresa são: maximização do lucro; maximização do valor de mercado da empresa; maximização da riqueza do Acionista e sustentabilidade. E, a fim de alcançar tais objetivos, o gestor financeiro precisa tomar decisões diariamente. Mas como decidir? Como tomar a decisão mais adequada? Neste contexto, surge uma grande amiga dos gestores: a análise financeira.

A análise financeira consiste em um conjunto de ferramentas que viabilizam uma visualização do panorama da saúde financeira de uma organização de maneira mais simples, rápida e intuitiva. As ferramentas podem englobar comparações, formalização de indicadores e gráficos de análise dos pontos e cenários que influenciam as finanças do negócio.

Mas qual o objetivo dessa análise?

É simples, a partir de uma análise estruturada da situação financeira da empresa, conseguimos avaliar o desempenho da gestão econômica, financeira e patrimonial da empresa, e coletamos insumos para embasar a tomada de decisão.

Mas quais decisões?

Essas análises dão insumos para diversas áreas da empresa, tanto financeiras como podem influenciar iniciativas de marketing, estratégia e gestão. Ou seja, quando entendemos a saúde financeira da nossa empresa, podemos agir de forma direcionada em todas as áreas da organização.

Outra prática da análise financeira é a comparação dos resultados da empresa com os do setor, a fim de questionar a continuidade do negócio, e tomar decisões quanto a financiamentos, investimentos, mudanças no estilo de negócio e até a adequação a cenários políticos, econômicos e setoriais.

A análise financeira é estruturada em 3 grandes categorias, são elas:

→ Análise Horizontal;

→ Análise Vertical;

→ Análise através de indicadores financeiros.

Análise horizontal

A análise horizontal se dedica a comparar os resultados de um mesmo indicador em relação a períodos anteriores. Ou seja, essa análise indica a evolução de um resultado. Para esta análise, é preciso organizar os dados de cada período lado a lado. A partir disso, é possível identificar qual foi o aumento ao longo dos anos/períodos, tendências financeiras, traços de sazonalidade, dentre outras informações.

Análise vertical

A análise vertical, como o nome já indica, ocorre verticalmente. Esse tipo de análise é utilizada para levantar a participação das contas em um total, a fim de visualizar o impacto de uma determinada conta ou atividade nos resultados finais. Além de suscitar um olhar mais profundo e descobrir as causas primárias do resultado insatisfatório ou satisfatório.

Indicadores financeiros

Os indicadores financeiros são instrumentos usados para medir, coletar e gerar informações sobre a situação econômica, financeira e patrimonial de uma empresa. Assim, a sua mensuração e análise propiciam acompanhamento quantitativo dos resultados e saúde financeira de uma empresa.

A análise através de indicadores financeiros relaciona grandes itens das demonstrações financeiras. O indicadores são capazes de mostrar os resultados, ou se a meta foi alcançada, ou até mesmo como o processo foi executado. Os valores gerados podem ser comparados com resultados de empresas de mesmo segmento ou históricos, a fim de auxiliar o gestor a saber se seu negócio está indo bem ou não.

Uma maneira prática de treinar a análise de indicadores financeiros que podemos sugerir, é comparar indicadores de empresas com capital aberto. Para isso, podemos citar o site Fundamentus. É possível analisar as empresas por setor, com alguns dos  indicadores mais amplamente utilizados. Para conhecer alguns indicadores financeiros, clique aqui (abrirá em outra aba e você poderá continuar a leitura).

indicadores Análise Financeira: saiba DETECTAR os problemas da sua empresa

Exercite-se: tente construir uma linha lógica para identificar aquelas empresas do setor que, pelos indicadores, aparentam ter melhor condição financeira. Uma dica é começar comparando a margem de lucro entre as empresas de mesmo setor. Sendo acima ou abaixo da média, por si ela já diz muito sobre a gestão e sustentabilidade da empresa. Relacionando também com a sustentabilidade, recomenda-se depois fazer uma análise sobre os indicadores da dívida, para por fim analisar o crescimento anual da receita que sugerirá se o modelo é escalável.

Uma vez estudado os indicadores, eles gerarão perguntas que poderão ser melhores aprofundadas através do estudo vertical e/ou horizontal dos demonstrativos financeiros das empresas ou mesmo de seu posicionamento estratégico (Por exemplo, uma empresa com margem de lucro pequena, mas com uma dívida sustentável e um histórico de crescimento de receita poderá ser uma boa companhia de baixo custo).

Logo, enquanto o estudo dos demonstrativos é necessário para se ter uma noção precisa do que está acontecendo, os indicadores financeiros são a primeira frente, os objetivos e pontos de alerta do gerenciamento de uma empresa.

Assim, um grande atrativo da análise a partir dos indicadores é que eles são mais objetiva e de fácil comparabilidade, você pode investir em uma ferramenta que mensure esses indicadores mensalmente e a análise passa a ser bem mais visual e rápida, demonstrando a evolução ao longo do tempo.

Um exemplo prático

Observe o fluxo de caixa abaixo:

capturar Análise Financeira: saiba DETECTAR os problemas da sua empresa

Aplicando a análise vertical, observa-se, no mês de janeiro, que os convênios representam a conta de maior expressividade nas receitas, enquanto os atendimentos particulares ainda são pouco expressivos. Dessa forma, conclui-se que a clínica é refém do atendimento por convênios. Ao analisar as despesas administrativas, observam-se grandes gastos mensais com serviços terceirizados, logo, a partir dessa informação, busque se questionar quanto aos possíveis motivos para isso, se outras empresas do setor também estão gastando com isso, se é possível diminuir esses valores ou se existem prestadores com preços mais competitivos no mercado.

Já na análise horizontal, observa-se uma grande oscilação no resultado final da empresa no mês de fevereiro. Questione-se. O que houve? A partir disso, analise as entradas e saídas, o que mudou? No exemplo dado, é perceptível que, neste mês, tanto as receitas diminuíram como as despesas aumentaram, criando um cenário bastante desfavorável. Compare os resultados neste mês com o mesmo momento em anos anteriores e com outras empresas também.

A fim de um diagnóstico mais assertivo, mescle as análises, o resultado encontrado em fevereiro pode ser explicado quando olhamos as contas de forma vertical. Comece com o lucro. Observe a variação dele ao longo do tempo. Para grandes variações, ou mesmo uma margem de lucro incondizente com o mercado/desejado, busque entender nas receitas ou nas despesas, o que causou essa variação. Assim, uma vez bem delimitado o problema, tome decisões para tentar solucioná-lo.  Como dito, muitas vezes o mais difícil é determinar o problema.

No entanto, uma grande curiosidade dessas ferramentas, é a falta de metodologia fixa, um grupo de informações podem resultar nas mais diversas inferências, por diversos caminhos. Na análise financeira, os responsáveis por direcionar as comparações são os questionamentos feitos sobre o indicador.

Para obter sucesso, independente da forma de análise, é preciso se questionar!

Assim, conseguimos localizar falhas, problemas e explicar os motivos da empresa por estar em determinada situação. Saber exatamente o que deve ser resolvido, muitas vezes, necessita de mais prática do que para saber como solucionar.

Neste sentido, podemos suscitar também o princípio de Pareto. O princípio de Pareto, que por muitas vezes foi adaptada para o âmbito de organizações, analisa que cerca de 80% das consequências de uma organização são provenientes de apenas 20% das possíveis causas. Logo, no contexto de uma empresa, é comum observarmos a mesma relação: 80% das receitas costumam ser provenientes de apenas 20% dos produtos.

Assim, através da análise financeira você tem a oportunidade de descobrir quais são os produtos e serviços responsáveis pelos seus 20% mais expressivos, tanto em problemas, quanto na geração de resultados para empresa. Após conhecê-los, você terá a oportunidade de priorizar a atuação nessas atividades. Se você quiser conhecer a aplicabilidade de outros tipos de indicadores além dos financeiros, clique aqui.

Gostaria que fizéssemos a análise financeira da sua empresa ou estudássemos a condição de algum mercado? Entre em contato com a gente!

imagem-final-post-mb Análise Financeira: saiba DETECTAR os problemas da sua empresa

Escrito por: Graziela Azevedo

Supervisionado por: Marcelo Portela

Consultores de projetos – AD&M Consultoria Empresarial

Referências:
GITMAN, L.J. Princípios de Administração Financeira Essencial. 2 ed. Porto Alegre: Bookman, 2001.
ALCÂNTARA, Alexandre. Estrutura, Análise e Interpretação das Demonstrações Contábeis. São Paulo: Atlas. 2007